Greve dos metroviários – 4 semanas e nenhuma proposta
Hoje, debaixo de chuva, os metroviários se reuniram em assembleia em frente ao Palácio do Buriti. Aguardaram por uma proposta, que não chegou. Mas o governo fez um pedido para que os trabalhadores suspendessem a greve, sem qualquer resposta a suas reivindicações e com os dias de greve descontados. Por óbvio, o pedido foi rejeitado por unanimidade. A greve continua e uma nova assembleia foi marcada para sexta-feira, às 20h, na Praça do Relógio (Taguatinga).
Os trabalhadores aproveitaram a ocasião para fazer uma manifestação. Externaram seu descontentamento com a forma com que a suposta negociação tem sido conduzida. Esta é a quarta semana em greve. Muito se conversou desde o mês de abril do ano passado, mas até agora o Metrô-DF insiste em dizer que precisa de mais prazo para fazer uma contraproposta às reinvindicações dos trabalhadores. Nove meses se passaram desde que essa suposta negociação começou, e ainda assim insistem em dizer que precisam de mais prazo? Causa revolta esse argumento utilizado pelos dirigentes da empresa. Chamam a isso de processo de negociação? Isso não é negociação. Isso é simulação de negociação.
E quando não pedem prazo, alegam que não têm poderes para decidir. E é por isso que essa greve começou. E é por isso que essa greve continua. Infelizmente, os representantes dos trabalhadores têm se reunido nesses 9 meses com os mais variados personagens enviados para a mesa de negociação, os quais, lamentavelmente, não detém poderes para negociar. Causa irritação essa estratégia de enrolação adotada pela empresa e pelo governo. Por que é que quem decide de verdade não aparece e decide alguma coisa? Se, verdadeiramente, somente o Governador pode resolver a questão, por que é, então, que ele não aparece e negocia com os trabalhadores?
Não há como essa greve acabar sem um acordo. Não há como fechar um acordo sem proposta. Não há como obter uma proposta com pessoas que não podem propor nada.
Lamentamos profundamente esse cenário de descaso com que os trabalhadores têm sido tratados. Lamentamos profundamente a inércia do governo e do Metrô-DF que resulta nessa que é a mais longa greve da história do Metrô-DF.
A greve teve início no dia 12 de dezembro. Os metroviários se reuniram em assembleia nos dias 12, 14, 16, 19, 21, 23, 27, 29 e hoje, 03 de janeiro de 2012. Em cada uma delas a greve poderia ter acabado. Poderia, desde que houvesse uma proposta razoável. Mas o Metrô-DF até agora não demonstrou preocupação com isso. E é somente por isso que a greve continua.
FONTE: SINDMETRO-DF
Publicado em 03 de janeiro de 2012.